Análise · do 1º para o 2º turno de 2026
Por que Lula virou: o que mudou do 1º para o 2º turno
Lula terminou o 1º turno em segundo lugar, 2,2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro. Três semanas depois, venceu por 4,4 milhões. A virada teve três motores: mais gente foi votar, Lula ficou com metade dos votos dos candidatos eliminados e o Sudeste encolheu a vantagem de Flávio pela metade.
| 1º turno | 2º turno | Variação | |
|---|---|---|---|
| Lula (PT) | 53.879.538 (45,16%) | 64.256.232 (51,79%) | +10,38 mi |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 56.104.503 (47,03%) | 59.826.041 (48,21%) | +3,72 mi |
| Outros candidatos | 9.316.747 (7,81%) | — | −9,32 mi |
| Comparecimento | 78,92% | 80,77% | +2,94 mi eleitores |
| Brancos e nulos | 5.975.047 | 4.153.029 | −1,82 mi |
Percentuais sobre os votos válidos. 2º turno com 100% das seções apuradas. Fonte: TSE.
14 milhões de votos em disputa, e Lula ficou com 74%
Entre um turno e outro, entraram na disputa 14,1 milhões de votos que nenhum dos dois finalistas tinha: os 9,3 milhões dados no 1º turno aos outros candidatos e 4,8 milhões de votos válidos novos. Lula somou 10,4 milhões deles. Flávio, 3,7 milhões.
Os votos dos eliminados estavam concentrados em três nomes: Augusto Cury (3,45 milhões), Renan Santos (2,68 milhões) e Ronaldo Caiado (2,61 milhões). Comparando o que aconteceu em cada estado, Lula parece ter ficado com pouco mais da metade desses votos, perto de 53%. Para quem estava atrás, dividir esses eleitores ao meio já bastava para encostar.
O fator decisivo: quase 3 milhões de eleitores a mais
O comparecimento subiu de 78,92% para 80,77%. Foram 2,94 milhões de pessoas a mais nas urnas, e os votos brancos e nulos caíram 1,8 milhão. No total, o 2º turno teve 4,8 milhões de votos válidos a mais que o 1º.
Esses votos novos apareceram com mais força justamente onde Lula mais cresceu. A comparação entre os estados indica que praticamente todo esse ganho foi para ele. No Nordeste, o comparecimento passou de 81,6% para 83,5%: foram 825 mil eleitores a mais na região mais lulista do país, com destaque para a Bahia (de 80,0% para 83,3%) e Pernambuco (de 81,8% para 84,8%).
O Sudeste decidiu a eleição
Lula não venceu no Sudeste, mas foi lá que ele mais avançou: a desvantagem na região caiu de 5,66 milhões para 2,81 milhões de votos. O Nordeste, que já era dele, ampliou a vantagem em 2,56 milhões.
| Região | Diferença no 1º turno | Diferença no 2º turno | Ganho para Lula |
|---|---|---|---|
| Sudeste | Flávio +5,66 mi | Flávio +2,81 mi | +2,85 mi |
| Nordeste | Lula +11,10 mi | Lula +13,65 mi | +2,56 mi |
| Sul | Flávio +5,04 mi | Flávio +4,58 mi | +466 mil |
| Norte | Flávio +459 mil | empate técnico | +459 mil |
| Centro-Oeste | Flávio +2,17 mi | Flávio +1,87 mi | +300 mil |
| Exterior | Lula +13 mil | Lula +29 mil | +15 mil |
Diferença de votos entre Lula e Flávio. Ganho para Lula = quanto a diferença mudou a favor dele. Somando as regiões, a diferença mudou 6,65 milhões de votos.
São Paulo sozinho deu a Lula 1,4 milhão de votos de diferença a mais
Quanto a diferença entre Lula e Flávio mudou a favor de Lula, do 1º para o 2º turno, em votos
- Minas Gerais virou. Flávio venceu no 1º turno por 589 mil votos; Lula ganhou o 2º por 103 mil. Minas foi o único estado a mudar de lado e confirmou mais uma vez a fama de termômetro da eleição.
- São Paulo foi o maior ganho. Lula passou de 38,2% para 46,2% dos válidos. Perdeu o estado, mas a diferença caiu de 3,42 milhões para 2,02 milhões.
- Lula cresceu em todos os 27 estados, de 4,5 a 9,3 pontos. As maiores altas foram em Goiás (+9,3 pontos), São Paulo (+8,0), Distrito Federal (+7,6) e Rio de Janeiro (+7,5).
- No Espírito Santo, Lula foi de 37,8% para 43,6% dos válidos (+5,9 pontos), e a vantagem de Flávio no estado caiu de 383 mil para 293 mil votos.
Proporcionalmente, o Rio e o Nordeste foram os que mais mudaram
Em votos, os estados grandes dominam. Para comparar estados de tamanhos diferentes, o gráfico abaixo mede a diferença entre Lula e Flávio em pontos percentuais dos votos válidos de cada estado. No Brasil, ela passou de 1,9 ponto a favor de Flávio para 3,6 pontos a favor de Lula: uma mudança de 5,4 pontos.
O Rio de Janeiro teve a maior mudança (+7,4 pontos), seguido por estados nordestinos de porte médio e pequeno, como Alagoas (+7,3), Sergipe (+6,9), Paraíba (+6,7) e Rio Grande do Norte (+6,5). No Espírito Santo, a vantagem de Flávio caiu de 17,0 para 12,7 pontos, uma mudança de 4,3 pontos, um pouco abaixo da média nacional. Os estados do Sul, do Centro-Oeste e do Norte com maior vantagem de Flávio foram os que menos se moveram.
Rio de Janeiro e Nordeste tiveram as maiores mudanças proporcionais
Diferença entre Lula e Flávio, em pontos percentuais dos votos válidos de cada estado (positivo = Lula à frente)
No Norte, a abstenção também ajudou
Na região Norte, o comparecimento caiu, ao contrário do resto do país: de 80,6% para 78,7%. A queda foi forte em estados onde Flávio tinha larga vantagem: Acre (de 79,6% para 73,9%), Amapá (de 82,6% para 74,5%) e Roraima (de 82,9% para 76,9%). Nesses três estados, Flávio teve menos votos no 2º turno do que no 1º. Com isso, a região, que tinha dado a Flávio 459 mil votos de vantagem, terminou praticamente empatada.
Em resumo
- Mobilização: 2,94 milhões de eleitores a mais e 1,8 milhão a menos de brancos e nulos, com os votos novos concentrados onde Lula cresceu.
- Votos dos eliminados: Lula ficou com cerca de metade dos 9,3 milhões de votos de Cury, Renan, Caiado e dos demais.
- Sudeste: a desvantagem caiu pela metade, com 1,4 milhão a mais em São Paulo e a virada em Minas.
- Nordeste: a vantagem cresceu 2,56 milhões, puxada pela participação maior.
Como ler as estimativas. Os totais de votos, comparecimento e diferenças são oficiais do TSE. Já a divisão dos votos dos candidatos eliminados e dos eleitores novos (cerca de 53% e quase todos para Lula) é uma estimativa feita comparando os 27 estados, não um dado oficial: o voto é secreto, e não dá para saber exatamente quem votou em quem.
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